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    Cães – Orelhas e caudas: cortá-las ou não? Descubra qual é a melhor opção (Mais Pet – Globo.com)

    O corte da cauda e orelhas dos cães já era praticado antes mesmo das raças serem organizadas em clubes e possuírem um padrão oficial. As justificativas para se realizar essas amputações eram: minimizar lesões e machucados em animais utilizados na caça (bracos, terriers, weimaraner, entre outros), pois ferimentos nesse local podem causar sangramento intenso ou conferir aspecto “compacto” a algumas raças de trabalho (rottweilers, dobermans e boxers).

    Hoje, o corte de cauda e orelhas tem motivo estético apenas e não está ligado à funcionalidade do cão. Muitos países já aboliram a prática de cirurgias com intuito meramente estético. Em 19 de março de 2008, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (Brasil) proibiu os veterinários de realizarem o corte de orelha ou cordas vocais de cães para evitar que latam, assim como a amputação das garras dos gatos para que eles não “destruam os móveis”.

    A resolução diz: “Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas”. A cirurgia de corte de cauda também é considerada uma mutilação.

    A cauda é uma “extensão” da coluna vertebral e é formada por várias vértebras pequenas. Apresenta inúmeras terminações nervosas, por isso é uma parte bastante sensível do corpo do animal. O padrão para o corte de cauda depende da raça, podendo ser bem curto ou amputado parcialmente.

    “Já há muitos anos, a caudotomia passou a ser proibida na Europa. Considerada uma cirurgia cruel para os animais, existem países que chegam a proibir a entrada de cães com cauda amputada em seu território”, explica o veterinário Mario Marcondes, do Hospital Veterinário Sena Madureira.

    A caudotomia é feita por volta de 3 dias de idade no filhote. Embora o padrão de muitas raças recomende o corte, ela não é obrigatória, podendo um cão com cauda íntegra ter pedigree e participar de exposições.

    Alguns proprietários já começam a optar por não fazer a caudotomia em seus animais, reservando um filhote antecipadamente com o criador e solicitando que o rabo não seja cortado. Há pessoas que, quando compram seu cão com o rabo curto, acham até que “ele já nasceu assim”, mas são raros os casos de animais que nascem com a cauda bem curta ou ausência dela.

    É preciso analisar a real necessidade de amputar-se uma parte do corpo de um animal. O motivo estético é questionável. Muitos cães parecem ficar mais bonitos com a cauda inteira, embora a beleza seja algo muito subjetivo para ser analisado. “Após as proibições destas cirurgias estéticas começaram a aparecer vários animais de raça com cauda longa e orelhas sem corte na cidade, o que faz com que as pessoas se acostumem com este novo padrão estético. Para os animais, temos sempre que pensar no bem estar e saúde em primeiro lugar”, ressalta.

    Existem casos onde há necessidade de amputação, quando o animal morde insistentemente a ponta do rabo, fere com freqüência a extremidade ao bater em objetos, causando sangramento importante, tumores… “Devemos considerar o bem-estar do animal antes da estética e o direito que os cães têm de poderem expressar-se e comunicar-se naturalmente conosco e com a sua própria espécie”, finaliza o veterinário.

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