(11) .
    • 20 JAN 14
    • 0
    Chuva pode aumentar casos de leptospirose e ser fatal para seu pet. (Matéria na Coluna da Dra. Fernanda do Hospital Veterinário Sena Madureira na Revista Época).

    Na estação mais chuvosa do ano, alguns cuidados são fundamentais para manter seu cão e sua família livres de uma doença que assombra o nosso verão todos os anos: a leptospirose.

    Por se tratar de uma zoonose, ela pode atingir o animal e o seu dono também. O contágio se dá pelo contato com urina e secreções de ratos e outros animais infectados, mas não necessariamente doentes. Animais com imunidade debilitada e filhotes são mais sensíveis e apresentam maior risco de vida. A gravidade da doença depende da bactéria presente e do funcionamento do sistema imunológico do animal.

    Os gatos não adoecem de leptospirose. Existe uma resistência natural à doença. Casos raros podem ocorrer se o gato tiver uma doença que acarrete baixa imunidade, como FIV (AIDS felina), FeLV (leucemia felina) ou câncer.

    Os cães geralmente apresentam febre, falta de apetite, vômitos, desidratação, apatia, cansaço, alterações renais, hepáticas e distúrbios de coagulação. É comum observar, em casos graves, tom amarelado na pele e mucosas do animal, urina de coloração bem escura (como Coca-Cola), diarréia e vômitos com sangue. Em alguns casos de infecção leve, os sintomas podem demorar a aparecer, ou se manifestam de forma sutil. Com isso, o risco de transmissão da doença para outros animais ou para os humanos aumenta, pois o animal mesmo sem manifestar sintomas específicos elimina a bactéria leptospira na urina e secreções.

    A leptospirose é uma doença grave que pode ser fatal para o pet e para seu dono. A prevenção pode ser feita pela vacinação e alguns cuidados no manejo dos pets. Como a doença também pode ser transmitida por alimento contaminado, é contra-indicado deixar comida, o dia todo, no comedouro. O ideal é: ao oferecer a refeição, após 15 ou 20 minutos, retirar a sobra e lavar o pote com água e sabão neutro. Evite comprar ração a granel (saco aberto fracionado e exposto na loja). Em casa, não deixe o saco de ração aberto sem proteção, pois estes fatores podem atrair roedores que geralmente urinam e defecam logo após comer. Mantenha o alimento em local seco, protegido e em saco ou pote fechado. Se seu pet tem o costume de caçar ratos, pode ser um agravante para o contágio. Por isso, você deve educá-lo que isso é errado.

    Cuide também para que o local esteja sempre livre de roedores, porém cuidado com o método usado para se livrar dos ratos para não prejudicar seu pet. Os animais não podem entrar em contato com venenos para ratos, pois também serão envenenados. Deve-se contratar uma empresa especializada em desratização e informar a presença de um animal de estimação na casa para a escolha de uma metodologia segura. Em passeios pela rua ou parques, não deixe seu cão lamber nem comer nada do chão ou grama.

    A doença pode acometer principalmente os rins levando à morte de néfrons com consequente insuficiência renal aguda e o fígado, podendo levar à insuficiência hepática. O tratamento é feito com antibióticos, fluidoterapia (soro), anti-terméticos, anti-eméticos, protetores de mucosa entre outras medicações de suporte (medicações indicadas para controlar os sintomas).

    A vacinação é um método de prevenção importantíssimo. A maioria das vacinas protege contra os principais sorotipos e a frequência ideal da vacinação contra a leptospirose é a cada 6 meses.

    (Fernanda Fragata é veterinária formada pela Universidade de São Paulo, é diretora do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Escreve no site de ÉPOCA sobre saúde e comportamento animal às segundas-feiras)

    Deixe um comentário →