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    Entrevista no Sena Madureira da Folha SP – Como lidar com o animal de estimação com a chegada do bebê!Felipe Gabriel/FolhaPress

    Quando o bebê vai chegar, a casa toda precisa se adaptar à novidade, inclusive o gato e o cachorro.
    É raro, mas há mães que abrem mão do pet quando engravidam por não saberem como aliar o convívio do bicho com a nova família, ou por acharem que o bebê pode ficar doente.
    A veterinária Janaína Reis é enfática. “A primeira coisa que falo a uma grávida é para não doar o bicho. Ela não pode se esquecer de que é uma vida, que ele sente tudo: desprezo, saudade, tristeza”, afirma a profissional, que é dona da labrador Mel, 15, do gato Faísca, 6, e é mãe de Tereza, 2.

    Depois de muito tempo dando conselhos como veterinária para grávidas que tinham animais de estimação, Janaína teve a sua primeira experiência pessoal no assunto há dois anos, com a chegada da primeira filha, Tereza.

    Hoje, convivem em harmonia a menina, o gato e a cachorra. “Os animais são muito dóceis. E a Tereza é apaixonada por Faísca, o gato. Ela adora dar comida pra ele.”

    Os veterinários relatam que, por falta de atenção e despreparo dos donos, há animais que entram em depressão, se automutilam e ficam agressivos. Além disso, a gravidez psicológica é frequente em fêmeas não castradas. “São as alterações hormonais”, explica Fernanda Fragata, diretora do hospital Sena Madureira.

    RECÉM-NASCIDO

    Pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, Marcelo Reibscheid ressalva, no entanto, que é preciso preservar o bebê. Até os dois meses de vida, como a criança ainda não tomou todas as vacinas, é indicado que bicho e recém-nascido não fiquem juntos.

    “São ‘n’ doenças que o bebê pode pegar”, explica Reibscheid, citando de micose e gripe à toxoplasmose do gato. Alergias só serão descobertas após recém-nascido e pet se encontrarem.

    “O contato [do bebê e do animal] deve ser saudável e com supervisão. Às vezes, a brincadeira do animal, o movimento da pata com a unha, pode machucar”, diz Victor Nudelman, pediatra do hospital Albert Einstein.

    “A primeira providência que a futura mãe deve tomar quando descobre que está grávida é cuidar da saúde mental e física do animal da mesma maneira que se preocupa com a do bebê”, diz Paula Papa, professora do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

    Segundo ela, a família precisa associar o novo membro da família a coisas boas. “Quando ele nasce, a família coloca o animal preso onde ele não costumava ficar? Ele não vai ficar feliz, não vai entender.”

    Se, antes da gravidez, o animal frequentava a casa toda e depois a rotina dele é alterada, é preciso pesar a decisão. “Se o cachorro deve ser restringido em algum cômodo da casa, que a mãe comece a fazer isso gradativamente e com uma substituição, para que ele não encare como uma proibição”, explica Paula Papa.

    Faz cerca de 40 dias que Theo chegou. A mãe, a engenheira Renata Procknor Gonçalves, 40, ainda não conseguiu fazer a interação dele com Bowie, o fox terrier de dois anos e meio. Como o bebê ainda é muito pequeno, ela afirma que, aos poucos, vai deixá-lo interagir.

    “Durante a amamentação, dizem para fazer carinho no cachorro, para ele associar esse ato a coisas boas [e não se sentir desprezado].”

    A engenheira explica que seguiu recomendações do veterinário e de uma educadora de animais para fazer a interação. Entre os conselhos, ela começou a deixar o carrinho na sala e as roupinhas com cheirinho do bebê na cama do cachorro.

    A assessora de imprensa Paula Ferraz, 33, já tinha a schnauzer Greta há seis anos quando engravidou. “Fiquei preocupada, porque ela era tratada como nosso bebê.”

    “Quando o Francisco, 2, nasceu, levava roupa para ela sentir o cheiro dele e, quando chegamos da maternidade, deixamos ele no chão para ela cheirar”, conta Paula.

    Os gatos siameses Frajola e Pitucha, de oito anos, eram os donos da casa da decoradora Soraya Desbrousses, 45. Há pouco mais de um ano, no entanto, chegaram os gêmeos Bernardo e Isadora.

    “Nunca tive gato arisco. Mas, quando os bebês nasceram, não deixamos eles terem acesso [ao quarto]. No começo eles ficaram enciumados, mas quando os bebês começaram a ficar no chão, foi tranquilo”, relata.

    De acordo com ela, a relação das crianças com os animais é sossegada. “A primeira palavra que meus filhos aprenderam a falar foi gato.”

    ADAPTAÇÃO

    A convivência, porém, não foi tão fácil na casa da auxiliar de cobrança Fabiana Cristina Alves Silva, 34. Ela tem um papagaio e quatro cachorros –apenas a poodle Belinha, de dez anos, fica dentro da casa.

    Com a chegada de Artur, há sete meses, a cachorra sentiu ciúme. “Ela já tentou pegar a mãozinha dele, mas agora se acostumou.” Ela conta que a adaptação foi difícil, pois Belinha queria deitar onde Artur estava. “Ela dormia com a gente na cama, mas depois teve de sair. Agora dorme no pé.”

    Antes da chegada do bebê, nenhuma aproximação foi feita para os cachorros se acostumarem com o cheiro de Artur, por exemplo.

    Ainda quando vivia em uma chácara, a pedagoga Kyara Rebecchi, 31, tinha mais de 20 gatos. Hoje, como mora em uma casa de vila, tem 11 felinos e três periquitos. Filhos são três: Laura, 7, Marianna, 4, e Antônio, de apenas um mês. “Dentro de casa ficam dois gatos, que dormiam comigo. Hoje, vêm pra minha cama as crianças e os gatos.”

    Kyara conta que sua primeira filha ainda era pequena e estava sozinha no quarto e, quando viu, o gato estava deitado com a bebê no mesmo travesseiro. De acordo com a pedagoga, nenhum dos seus filhos desenvolveu alergia.

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