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    Estamos indo longe demais nos cuidados de beleza com os pets? (Guia de Bichos do iG Delas – Ricardo Donizete)Thinkstock Photos

    Especialistas dizem que donos transferem sua vaidade para os bichos e transformam animais em caricaturas de humanos.


    Nas últimas semanas, dois acontecimentos colocaram em evidência a onda de tratamentos de beleza feitos em bichos de estimação. Nos Estados Unidos, centros estéticos dedicados exclusivamente aos pets provocaram polêmica por oferecer cirurgias de lipoaspiração e implantes de silicone em cães e gatos.

    Também nos EUA, a cantora pop Rihanna deu o que falar no Twitter ao postar uma foto do seu cachorro com as unhas decoradas com adesivos coloridos iguais aos usados por muitas mulheres em salões de beleza.

    Esses dois casos alimentam as preocupações dos especialistas e dão margem à pergunta do título: será que estamos indo longe demais nos cuidados com a beleza e a fofura dos pets?

    “Nós estamos impingindo aos animais os nossos modelos de beleza. Estamos desvirtuando o que eles têm de mais belo, que é a singeleza”, opina Hannelore Fuchs, médica veterinária especializada em comportamento animal e doutora em psicologia. “Bicho tem que ser bicho. Não dá para pensar que ele é um ser humano vestido com um casaco de pele”, completa Hannelore, criticando as cirurgias estéticas para pets.

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    Mario Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo, também é contra as intervenções cirúrgicas em pets que tenham objetivos meramente estéticos.

    “Não se pode submeter um animal a uma cirurgia só para fazer o dono se sentir melhor. É preciso tomar cuidado para não transferirmos a nossa vaidade para bicho”, analisa o veterinário.

    Teste: Quanto seu pet afeta sua vida?

    De todos os procedimentos estéticos que estão sendo realizados em animais e que incluem tatuagens, piercings, tintura de pelos e máscaras embelezadoras, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, a cirurgia estética que mais vem causando polêmica é a de implantação de testículos de silicone em gatos e em cachorros castrados.

    A empresa que oferece o serviço, a americana Neuticles, alega que os implantes evitam que os animais fiquem deprimidos. Mas os especialistas rebatem esse argumento e dizem que isso não faz a menor diferença para eles. “É puramente estético, não tem nenhuma funcionalidade” aponta Marcondes.

    Tanto as cirurgias estéticas complexas como essa de implante de silicone, quanto as mais simples não são permitidas no Brasil. “Desde 2008, o Conselho Federal de Medicina Veterinária proíbe a realização até mesmo do corte de cauda e orelhas de certas raças de cães e a retirada de garras dos felinos. O médico que realizar procedimentos como esses sem a real necessidade clínica poderá ser autuado”, explica Tânia Parra Fernandes, professora do curso de Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo.

    Não se trata de ‘demonizar’ todos os procedimentos estéticos relacionados a animaiso, pondera Tania, “uma lipoaspiração, por exemplo, pode ser realizada em um cão que apresente um lipoma (acúmulo de tecido gorduroso) de tamanho excessivo, que esteja comprometendo sua locomoção. Mas não deve ser usada para corrigir ou amenizar um caso de obesidade provocada por um erro de manejo induzido pelo seu proprietário”, avalia a professora.

    Roupas, adesivos e tingimento de pelos

    Menos invasivos que as cirurgias, alguns cuidados de beleza com animais também geram controvérsia. É o caso dos adesivos usados por Rihanna em seu pet, das roupas para cães e gatos e do tingimento dos pelos dos bichinhos com tinta colorida. No Brasil e em muitos outros países, esses acessórios e itens estéticos movimentam uma indústria que lança novidades sem parar e estimula o consumo, estilistas lançam coleções de acessórios e roupas para pets, por exemplo, todos os anos, às vezes duas vezes por ano, exatamente como acontece com as coleções de moda para humanos. Difícil resistir ou ficar longe de tanta ‘coisa fofa”!

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    Se roupinhas, gorros e cachecóis poderiam ser considerados inofensivos, “em relação ao tingimento de pelos, no entanto, é preciso tomar muito cuidado. Estamos falando de produtos químicos, que podem desencadear alergias ou mesmo oferecer risco para a saúde do animal”, pontua Marcondes. O veterinário explica ainda que sempre é preciso testar a tinta numa parte pequena dos pelos dos animais, assim se pode verificar antecipadamente alguma possível reação alérgica.

    Para Tânia, alguns acessórios podem ser usados desde que de maneira não definitiva. “Vale enfeitar os animais após os banhos com adereços, como por exemplo, adesivos atóxicos, gravatas ou mesmo fitas e presilhas, desde que sejam de uso temporário e não prejudiquem a saúde do animal”, ressalta a professora.

    Hannelore, que prefere que este tipo de adereço não seja utilizado “porque transforma o animal numa caricatura de ser humano”, não é contra o uso de roupas se elas forem utilizadas para proteger o bicho das variações de temperatura.

    “Os animais domésticos vivem bem em temperaturas médias, mas quando o tempo está muito frio, eles podem sofrer, muitos até tremem. Neste caso, é perfeitamente justificável o uso de roupa que os proteja. Agora, isso é bem diferente de vestir uma poodle de bailarina”, avalia Hannelore.

    Em relação à discussão sobre os excessos de vaidade com os bichos, os três especialistas são unânimes sobre o que realmente deixa os nossos ‘melhores amigos’ mais belos.

    Pode anotar: “Uma boa alimentação, vacinação correta e banhos periódicos são suficientes para manter os bichos saudáveis e bonitos”, finaliza Tânia, resumindo a opinião dos profissionais.

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