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    Fique atento ao que seu cão pega com a boca. Ele pode engolir! (Matéria na Coluna da Dra. Fernanda do Hospital Veterinário Sena Madureira na Revista Época).(Foto: Matt Cardy/Getty Images)

    Os cães gostam de mastigar tudo o que eles possam abocanhar, o que aumenta o risco de engolir pedaços ou objetos inteiros.


    Quem tem um cão sabe que, em alguns aspectos, ele merece vigilância durante a vida toda como se fosse uma eterna criança. Isso vale para brinquedos e objetos diversos que podem parecer inofensivos aos nossos olhos, mas são muito atraentes para a boca e o focinho, de um cão. Nos grandes centros veterinários, os casos de animais admitidos na emergência com relato de terem engolido ossos, brincos, plástico, pedras, palitos, brinquedos, anéis, e uma infinidade de outros objetos crescem a cada dia.

    Os cães gostam de mastigar tudo o que eles possam abocanhar, o que aumenta o risco de engolir pedaços ou objetos inteiros. O apetite voraz e o hábito de engolir a comida sem mastigar direito, o instinto de brincar com a boca, fuçar os cantos, embaixo de móveis e revirar sacos de lixo aumentam exponencialmente o risco. Em alguns casos, objetos pequenos e arredondados podem seguir o processo dos alimentos e serem eliminados pela vias naturais, nas fezes. Porém, na maioria dos casos, estes corpos estranhos dificultam a passagem dos alimentos ou ficam presos, provocando transtornos graves, que sem a rápida intervenção do veterinário podem ser fatais.

    Por isso, a qualquer suspeita de ingestão de algum objeto, ou súbita prostração com falta de apetite, dor abdominal, vômito, ausência de evacuação, leve-o imediatamente a um serviço de emergência veterinária. Exames complementares como raio X simples, raio X contrastado, ultrassom abdominal e endoscopia podem ser fundamentais para o diagnóstico e o acompanhamento do processo até sua completa resolução. Em casos mais graves, uma cirurgia de emergência pode ser necessária.

    Mesmo que tenha certeza de que o animal engoliu algo, nunca tente fazê-lo vomitar para expelir o objeto pois ele pode no caminho de volta obstruir as vias aéreas e sufocar o cão. Em caso de linha, cordão ou fita, nunca tente puxar para retirar pois pode estar presa em algum local do trato digestivo e, ao puxá-la, causar sérios danos internos podendo romper órgãos e causar a morte do animal. Não dê laxantes nem medicamentos de qualquer natureza sem prescrição médica. Procure sempre a orientação do veterinário para a segurança de seu pet. Em casa com crianças, o convívio com os pets deve ser sempre supervisionado por um adulto, para a maior segurança das duas partes.

    (Fernanda Fragata é veterinária formada pela Universidade de São Paulo, é diretora do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Escreve no site de ÉPOCA sobre saúde e comportamento animal às segundas-feiras)

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