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    • 23 MAI 10
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    Gatos fofinhos (Jornal da Tarde)

    Sobrepeso não é sinal de saúde, saiba como alimentar seu pet.


    Na capital paulista pelo menos 29,7% dos gatos estão acima do peso. “Esta pesquisa foi feita há seis anos pelo SPA’tas (grupo de estudo da Faculdade Anhembi Morumbi) e com certeza este número já aumentou, o que é preocupante”, afirma a médica veterinária Márcia Jericó, mestre em ciências (fisiologia humana), doutora em medicina veterinária e zootecnia pela USP; e coordenadora do Hospital Veterinário Anhembi Morumbi.

    Os especialistas explicam que as consequências da obesidade em gatos é semelhante a nos humanos: cardiopatias, diabetes, problemas ortopédicos e colesterol alto, entre outras.

    Em muitos casos, o vilão seria o próprio dono. “O gatinho pode ter um proprietário super amoroso e provedor, que vai ofertar muita comida”, diz ela.

    A veterinária, que tem também especialização em endocrinologia, já acompanhou relatos de gatos que consumiram bolos e refrigerantes, entre outros alimentos humanos. “Os gatos são carnívoros, precisam de proteínas e não de carboidratos, aliás o carboidrato se transforma imediatamente em gordura.” Ela é também contra os petiscos. “Inúmeros estudos indicam que a obesidade está diretamente relacionada ao oferecimento exagerado de guloseimas. Os petiscos, ou guloseimas, apresentam elevado teor calórico, uma vez que são palatabilizados com gorduras e açúcares.”

    O veterinário Mário Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, explica que a ração é suficiente. “Elas são elaboradas por nutricionistas veterinários e as recomendações da embalagem devem ser obedecidas, um certo número de xícaras conforme o peso do animal”, explica.

    Márcia destaca que se o animal já estiver acima do peso deve comer menos do que o indicado na embalagem, ou até rações apropriadas para dietas. A mesma recomendação vale para gatinhos gulosos a la Garfield – com propensão a engordar – e castrados. “A quantidade das embalagens é pensada para uma animal no peso ideal.”

    A veterinária explica que o peso padrão de um gato adulto é de cinco quilos, que pode variar dependendo do tamanho dele. “A maioria acredita que gato saudável é aquele bem fofinho, para eles o gato está ótimo com uns quilos a mais, o que é errado.”

    Marcondes acrescenta que os proprietários têm aquela ideia, já ultrapassada, que quanto mais o gato come mais saudável ele é. “São como aquelas mães que dão muita comida aos filhos para que eles fiquem fofinhos.” O veterinário diz que basta dar ração, sempre em porções, que o gato não vai engordar (leia dicas abaixo).

    A administradora de empresas Daniella Franchin-Breviglieri é dona do gato persa Muffin, de 3 anos, que pesa seis quilos “e um pouco mais”. “Ele é bem guloso, mas só dou ração – que fica a disposição dele o dia inteiro – e à noite dou um petisco, só a parte líquida do Wiskas Sachet”, conta ela.

    Muffin adora dormir à tarde de barriguinha para cima, encostado ou na parede ou no sofá (veja a foto). “Igualzinho ao Garfield.” Daniella tem certeza que ele está no peso ideal. “É que ele é muito peludo e comprido.”

    Se o gato for guloso, acrescenta Márcia, ele não vai recusar os quitutes que adora. “Há donos que dão até 10 quitutes por dia, e o gato, guloso, vai aceitando e engordando.”

    Marcondes explica que os felinos têm um paladar seletivo, só comem o que gostam. “É individual de cada um, eles identificam o que gostam e sempre vão procurar por aquilo.”

    E na hora de premiar seu gatinho, dê preferência a petiscos pobres em gorduras e açúcares. “Devem ser fornecidos na menor frequência possível, não podendo substituir a alimentação”, sugere Márcia. E Marcondes acrescenta: “Os petiscos não vão deixar seu animalzinho mais feliz.”

    Sedentarismo

    Segundo dados da Royal Canin Brasil, entre 67% e 70% dos gatos domiciliados no Brasil são castrados. “A esterilização não leva a obesidade, mas eles vão ser menos ativos e precisam ser estimulados”, explica a veterinária Ivana Carvalho, da clínica Office Dog. “O que leva à obesidade é o sedentarismo.” Nesses casos, a médica recomenda estabelecer rotinas para que o bichinho não fique parado. “Dificulte a alimentação, coloque a tigela da ração em cima de armários, assim ele vai ter de escalar alguns objetos até chegar lá”, diz Ivana, que também aconselha mais brincadeiras.

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