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    Gatos também podem ter problemas renais (Matéria na Coluna da Dra. Fernanda do Hospital Veterinário Sena Madureira na Revista Época).A detecção precoce da doença antecipa o início do tratamento (Foto: Divulgação )

    Os gatos a partir da meia idade podem apresentar alterações no funcionamento dos rins. O que mais chama a atenção nestes casos é o aumento da ingestão de água, na produção de urina e a diminuição do apetite. Em casos mais avançados o animal tem vômitos, fraqueza, perda de peso, pelos opacos e quebradiços. Muitos donos de felinos buscam uma causa ou um culpado para o mau funcionamento deste órgão tão importante. Apesar de muito comum, a insuficiência renal não tem uma causa especifica. Ela é consequência de inúmeras microlesões renais sofridas durante a vida do gato que vão deixando cicatrizes.

    Com o tempo, devido ao grande numero de tecido cicatricial, os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue e de eliminar as impurezas. Inicia-se um processo de intoxicação e de perda de água e proteína pela urina. Apesar de não ter cura, é possível minimizar os sintomas e retardar a evolução da doença com adaptação de uma dieta específica, acompanhamento e tratamento das alterações em eletrólitos (como o potássio), da pressão arterial, da anemia, minimizar a perda de proteína e normalizar os níveis e a relação entre cálcio e fósforo.

    O tratamento com soro intravenoso é imprescindível nos gatos com insuficiência renal crônica, pois corrige a desidratação e aumenta a produção de urina, reduzindo os níveis de compostos tóxicos no sangue, principalmente a ureia e a creatinina. Corrige o desequilíbrio ácido básico e ajudar a normalizar os níveis de fósforo e de potássio no sangue, cujo desequilíbrio leva a progressão da lesão renal. Vitaminas do complexo B e vitamina C também devem ser incluídas no soro. Medicamentos como protetores de mucosa, estimulantes de apetite e para a correção da anemia são essenciais.

    A hospitalização se faz necessária sempre que houver piora dos sintomas e do estado geral do felino. Diferentemente do tratamento da insuficiência renal em humanos, a hemodiálise é menos indicada pelo fato dos gatos continuarem a produzir urina. E o transplante renal não é realizado em animais devido a particularidades da técnica e da espécie. Por isso, fique sempre atento aos sinais de alteração de comportamento ou na rotina de seu gato. A detecção precoce da doença antecipa o início do tratamento, proporcionando maior sobrevida e melhor qualidade de vida para um membro tão importante da família.

    (Fernanda Fragata é veterinária formada pela Universidade de São Paulo, é diretora do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Escreve no site de ÉPOCA sobre saúde e comportamento animal às segundas-feiras)

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