• 24 JUL 17
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    A gata Gal teve câncer e passou por quimioterapia. Valeu a pena? (Matéria na Coluna da Dra. Fernanda do Hospital Veterinário Sena Madureira na Revista Época).A gata Gal, que teve câncer. Sua dona teve um dilema que se torna cada vez mais comum: vale a pena iniciar um tratamento que pode se prolongar? (Foto: Arquivo pessoal)

    Com o aumento da longevidade de gatos e cães e o avanço dos exames, hoje temos mais diagnósticos de câncer em pets. Como lidar com essa nova realidade.


    As campanhas, depoimentos e incentivos à prevenção do câncer reduziram o medo do diagnóstico dessa tão temida doença, que infelizmente ainda vitima muita gente. Nossos amigos de quatro patas não ficam fora dessa. Embora seja mais comum em animais idosos, o mal atinge também filhotes e adultos jovens. Sempre me lembro de Maria de Lourdes e sua gata Gal. Aos 10 anos, já na meia-idade, Gal havia sido diagnosticada com tumor nas mamas. Após uma cirurgia, veio a noticia: o tumor era maligno.

    Tratá-lo exigiria sessões de quimioterapia para reduzir as chances de recidiva e metástase (quando a doença se espalha para outros órgãos). Maria de Lourdes, de início, negou-se a avançar com o tratamento – acreditava que a gata sofreria muito e pensou em sacrificá-la. Lembrava-se de experiências pessoais e familiares muito ruins. Não acreditava que Gal poderia vencer a doença e não suportaria vê-la sofrer.

    Cada vez mais animais recebem esse diagnóstico e cada vez mais tutores terão de lidar com essa mesma dúvida. Com o aumento da longevidade dos cães e gatos e o avanço tecnológico da medicina veterinária, hoje temos mais diagnósticos de câncer. Temos também mais acesso a tratamentos eficazes e seguros, além da redução significativa dos efeitos colaterais.

    O preconceito com a cirurgia de remoção do tumor e principalmente com a quimioterapia também diminuiu à medida que a informação ganhou força. Por isso, Maria de Lourdes mudou de ideia sobre como cuidar de Gal, após conversar com outros tutores que haviam passado por situação semelhante e outros que estavam no meio do tratamento. Convenceu-se, assim, de que ela e Gal deveriam tentar a quimioterapia. Felizmente, o tratamento deu certo. O caso ocorreu em 2011 e Gal completou 16 anos agora em 2017.

    Na maioria dos casos em que o diagnóstico é feito logo no início da doença, a cura é possível. Quando esse objetivo não é alcançado, proporciona-se qualidade de vida ao animal pelo tempo que for possível. O Outubro Rosa e o Novembro Azul vêm ganhando força a cada ano na medicina humana – e a veterinária entrou nessa tendência benéfica.

    O foco principal do Outubro Rosa é a prevenção do câncer de mama e o do Novembro Azul a do câncer de próstata e testículos. Mas a orientação recebida nas campanhas específicas pode ser usada para prevenir outros tipos de câncer também. O objetivo maior é ensinar a um tutor, no dia a dia, a perceber mudanças que denunciam que algo não vai bem e procurar o veterinário bem no início do problema. Eis um roteiro a seguir:

    1 – O câncer é resultado do crescimento anormal e descontrolado das células, portanto qualquer inchaço, nódulo ou verruga devem ser investigados, principalmente os que crescem rápido ou mudam de aspecto ou de cor.
    2 – Sangramentos e secreções diferentes na boca, nos olhos, no nariz, nas fezes, na urina ou em qualquer lugar do corpo não são normais e devem ser sempre avaliados pelo veterinário.
    3 – Feridas que não cicatrizam são bastante comuns em processos tumorais e merecem cuidado redobrado.
    4 – Mau cheiro na boca ou no corpo pode ser decorrente de necrose secundária à doença.
    5 – Mudança no hábito de urinar e defecar é sinal importante que os animais dão quando algo não está bem e deve ser sempre investigada a causa.
    6 – Dificuldade ao mastigar ou engolir ocorre com frequência em tumores na cavidade oral, na face, no pescoço e na garganta, entre outros. Deve-se diferenciar de outras causas, como infecções e problemas dentários, que também merecem tratamento rápido para evitar complicações.
    7 – Falta de energia e cansaço progressivo são bastante comuns devido ao desgaste provocado por doença e dor.
    8 – Dificuldade para se locomover, claudicação (manqueira) ou rigidez de membros podem indicar alteração óssea em membros, coluna ou dor abdominal.
    9 – Falta de apetite – comum em muitas doenças, no caso de câncer ocorre devido a dor, mal-estar, enjoo secundários à doença de base.
    10 – Perda de peso – também inespecífico, podendo ocorrer em outras patologias. No caso do câncer, além da baixa ingesta, o tumor se apropria da energia das reservas de gordura e músculos, debilitando o paciente ainda mais.

    Nas campanhas de prevenção ao câncer que fizemos em 2016, o Outubro Rosa Pet e o Novembro Azul Pet, centenas de pessoas trouxeram seus bichinhos para ser examinados, esclareceram dúvidas e receberam orientações gerais de como prevenir e detectar alterações simples precocemente. A redução no índice de animais doentes nos deixou muito felizes e mostrou que, após três anos de campanhas como essas, os donos de pets estão ficando atentos e conscientes. Ganham como recompensa bichinhos mais saudáveis e felizes.

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