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    Diabetes em cães e gatos aumenta até 32% em cinco anos, um reflexo dos hábitos dos donos com a própria saúde


    A massa de pizza que sobra no prato é “gentilmente” cedida ao cachorro. A preguiça de andar com o mesmo cão naquela manhã mais fria também leva o sedentarismo humano ao animal de estimação. E a combinação dos dois fatores de risco acaba como pano de fundo para a ampliação dos casos de diabetes nos pets, fenômeno registrado pelos veterinários.

    “Sem base científica contundente, podemos relacionar o comportamento dos homens ao aumento da doença endócrina canina e felina”, afirma a veterinária Cynthia Schoenardie, porta-voz no Brasil do Banfield Pet Hospital, rede norte-americana de 770 hospitais veterinários que acaba de finalizar um levantamento sobre saúde animal.

    Outro lado da moeda: Quando o cachorro é o personal trainer.

    A base do relatório são os 2,1 milhões de atendimentos de cães e gatos feitos pelas unidades. Pelos dados divulgados pela Banfield, de 2006 para cá, a incidência de diabetes canina aumentou 32%. Em gatos, o crescimento foi de 16%. Já entre os brasileiros, diz o último relatório do Ministério da Saúde, os gráficos também mostram tendência de aumento da doença de 10% no mesmo período.

    “Podemos trabalhar com a hipótese de que o estilo de vida de uma pessoa mais sedentária, que se alimenta de uma maneira irregular (condições apontadas como responsáveis para a proliferação de diabéticos humanos) influencia nos animais”, completa Cynthia.

    Pequenos

    Além deste novo estilo de saúde humana, outros aspectos também estão relacionados ao diabetes animal. Os apartamentos pequenos, com pouco espaço para o exercício físico dos bichos, influenciam ainda na escolha por raças de menor porte. Os cães menores são mais numerosos entre os diabéticos pois são mais vulneráveis à doença, sendo os poodles os campeões em incidência do problema.

    “A minha avaliação é que nestes espaços menores, os donos conseguem perceber mais os sinais que indicam problemas de saúde nos animais, que antes passavam despercebidos”, acredita o diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, Mario Marconde dos Santos.

    “Um dos sintomas do diabetes animal é fazer xixi em excesso, por exemplo. Se estivessem em quintais amplos, talvez a urina excessiva nem fosse notada. Mais atentos, os donos procuram mais os especialistas e o diagnóstico veterinário também faz os casos de diabetes crescerem”, diz Santos.

    Comida não é carinho

    É fato que a relação entre o homem e o bicho também mudou nos últimos tempos. Não só as limitações físicas das casas aproximaram o dono do pet, como os cães e gatos ganharam “status” de membros das famílias, muitas vezes tratados como filhos.

    E o mesmo erro cometido com as crianças – muitos adultos acreditam ser “uma graça” meninos e meninas muito gordinhos – é repetido com os animais.

    “Com cachorro eu não vejo tanto, mas as pessoas acham lindo os gatos bem gordos. Não raro também, há a postura de que comida é carinho. Os donos enchem os bichos de alimentos, muitas vezes não recomendados na dieta canina e felina, como forma de recompensa”, pontua o veterinário Ricardo Duarte, do Hospital Veterinário Pompéia, em São Paulo.

    Coincidência ou não, na população de gatos o diabetes mais comum é o tipo 2, aquele que – da mesma forma que em humanos – está mais relacionado à obesidade e ao sedentarismo (o gato Garfield é o principal representante da categoria).

    Atualmente, em cada 10 mil felinos, 64 têm diabetes. Já nos cachorros – em cada 10 mil, 16 convivem com o diagnóstico – o comportamento da doença é mais parecido com o tipo 1 do diabetes, desencadeado em especial pela predisposição genética.

    Nos dois tipos da doença, explica Duarte, o aparecimento está relacionado ao envelhecimento. “Quanto mais tempo vive o animal, maior o risco de ter diabetes. Mas se for controlado e bem tratado, os nossos pacientes podem ter vida normal”, diz.

    “Vale lembrar que o dono precisa ter atenção o tempo todo. Já atendi cachorro que aos 4 meses de vida tinham diabetes.”

    Tratamento

    Tanto em cachorros quanto em gatos, o tratamento do diabetes exige mudança na dieta (uma espécie de ração terapêutica), adoção de exercícios físicos e até aplicação de insulina.

    Só quem pode prescrever o tratamento adequado é o veterinário. Isso porque, em especial quando o animal está idoso, é preciso atenção com a mistura de medicações. O gato siamês Sacha, por exemplo, está com 20 anos de idade e sofria dor crônica nas articulações quando teve o diabetes diagnosticado.

    “Ele estava muito deprimido também. A dona dele havia morrido e eu tinha o adotado fazia pouco tempo. Por causa das dores, o Sacha quase nem se mexia. O veterinário explicou que essa conjunção de fatores resultou no diabetes”, conta a dona do gato, Rosane, que tem a experiência com outros 12 “filhos”, todos felinos.

    O fato de precisar receber insulina duas vezes por dia, impediu que o gatinho diabético tomasse medicação para dor. “A alternativa foi fazer acupuntura, junto com florais para dar uma animadinha”, conta Rosane. Sacha foi diagnosticado com diabetes em fevereiro. A expectativa é que no próximo mês ele já pare com a medicação. Agora, voltou a correr pela casa e brincar com as folhas caídas no jardim. “Nem parece ter a idade que tem”, diz a dona.

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