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    Higiene bucal – a saúde começa pela boca – Matéria na coluna da Dra. Fernanda do Hospital Veterinário Sena Madureira na Revista Época.(Foto: Thinkstockphotos)

    Diariamente recebemos dicas e recomendações sobre como manter nossos dentes e gengivas saudáveis. As crianças vão cada vez mais cedo ao dentista para avaliação e recomendações, antes até do primeiro dentinho nascer. Escovamos nossos dentes pelo menos três vezes ao dia, a cada seis meses visitamos o dentista para uma avaliação e limpeza mais detalhada e, apesar de todo este cuidado, podemos ser surpreendidos por uma súbita e inesperada dor de dente. Mas e os nossos amigos cães e gatos? Quantas vezes por semana escovamos os dentes deles? Como podemos evitar, ou ao menos retardar o acúmulo de tártaro que tanto incomoda os cães, gatos e seus donos?

    Existem hoje no mercado pet diversos produtos que prometem auxiliar na manutenção de uma boca saudável. Mas a avaliação constante do veterinário e limpezas de tártaro periódicas precisam ser realizadas antes que esta placa bacteriana mineralizada pelos sais presentes na saliva se torne o maior vilão da saúde e bem estar de seu animal.

    Desde filhote devemos condicionar o animal, seja ele cão ou gato, a aceitar a escovação dental diária. É isso mesmo. Todos os dias devemos escovar os dentes deles e não somente no dia do banho como muitos donos relatam. O uso de pastas apropriadas para eles, com sabor de carne, facilita muito esta prática tornando o momento bastante prazeroso. Não é recomendado o uso de pastas com flúor uma vez que a ingestão pode intoxicar os animais. O hábito de roer ossos sintéticos e brinquedos especiais desenvolvidos para provocar atrito com os dentes e massagear as gengivas auxiliam bastante na manutenção de uma boca saudável em cães. Alimentar somente com água e ração seca também contribui bastante no retardo da deposição de tártaro nos dentes dos bichinhos. Porém, existem raças de cães que são mais predispostas à deposição de placa bacteriana nos dentes, como os poodles, daschund, yorkshire, pinscher, maltês e, por isso, necessitam maior atenção e de cuidados mais intensos.

    A maioria dos donos de cães e gatos não dá a atenção adequada para a boca do seu animal. Estima-se que mais de 80% dos pets têm algum problema bucal significativo. Muitos acreditam ser normal a deposição de tártaro nos dentes e o mau cheiro exalado pela boca deles, principalmente a partir da meia idade (4 a 5 anos). Dificuldade na apreensão de alimentos ou brinquedos e a queda de dentes são frequentemente atribuídos simplesmente à idade avançada, como se não fosse possível prevenir ou tratar.

    Ao levar o pet ao veterinário para vacinação de rotina ou tratamento de outros males, o dono muitas vezes é surpreendido com a informação de que o estado da saúde oral de seu animal é motivo para alarme. E, neste momento, a resposta instintiva habitual é que realmente o mau hálito vem piorando, mas “nesta idade” não há nada que possa ser feito.

    Esta afirmação na maioria das vezes está errada. A constante presença de bactérias e suas toxinas têm um impacto negativo diário sobre a saúde do cão ou do gato e tudo o que pudermos fazer para melhorar isso é indicado e apropriado. Estas substâncias e microrganismos agridem também as estruturas que estão ao redor dos dentes, responsáveis pela proteção e sustentação, resultando em periodontite generalizada com dor, vermelhidão da gengiva, inchaço, sangramento e mais tarde a perda do dente. As toxinas da periodontite ou doença periodontal também são absorvidas na corrente sanguínea causando pequenas – porém constantes – infecções nos rins, fígado, coração e outros órgãos podendo levar a insuficiência dos mesmos ou danos fatais.

    Outro ponto muito importante a ser tratado é a dor que estes animais sentem por causa da mobilidade dos dentes acometidos e a infiltração das bactérias nos dentes e gengiva. O dono muitas vezes leva o animal ao veterinário relatando que ele não come. Mas não percebe que a causa é a dor que o bichinho sente ao apreender ou mastigar o alimento e para não sentir dor, condiciona-se a não comer, o que é um risco enorme, principalmente para os gatos. Não raro animais acometidos de doença periodontal severa dão entrada no pronto-socorro com sangramentos graves em gengiva.

    Depois de tratados adequadamente com medicamentos como antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e a limpeza criteriosa dos dentes sob anestesia geral, os donos devem manter os cuidados de higiene em casa. Importante também as visitas regulares ao veterinário para reavaliação e orientações com o objetivo de prevenir a rápida deposição de tártaro para postergar dentro do possível as próximas limpezas periódicas.

    A anestesia geral, imprescindível para o correto tratamento da doença periodontal e tão temida pelos donos, vem acompanhando a constante modernização da medicina veterinária, o que traz grande segurança ao procedimento quando feita por profissionais capacitados, em doses e concentração cuidadosamente calculados e com a monitorização adequada. As chances de um animal com periodontite desenvolver insuficiência renal, por exemplo, é muito maior do que o risco de complicações durante a anestesia do tratamento periodontal.

    E você, já escovou os dentes de seu pet hoje? Se você não tem este hábito e ele já possui mau hálito ou tártaro nos dentes, procure orientação do veterinário antes de iniciar.

    (Fernanda Fragata é veterinária formada pela Universidade de São Paulo, é diretora do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Escreve no site de ÉPOCA sobre saúde e comportamento animal às segundas-feiras)

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