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ANIMAIS SILVESTRES
    • 22 SET 16
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    Hospital Veterinário Sena Madureira na Folha de São Paulo – Saiba como viajar com os pets de avião.Lucy dentro da caixa de transporte flexível usada em viagens de avião

    Buda teve uma experiência luxuosa em sua primeira viagem de avião: foi de jatinho para Itacaré (BA).

    “Eu queria levá-lo de qualquer jeito, mas as companhias fazem muitas exigências, por causa da raça dele”, diz a blogueira Gabriela Pugliesi, 30, que alugou a aeronave. Buda é um cão pitbull.

    O animal driblou uma série de medidas estabelecidas para o transporte de cães e gatos por empresas aéreas –na Latam viajam mais de 4.000 animais por mês; na Gol, só nas cabines, 1.500.

    Peso, idade e raça são os critérios usados para determinar se os pets podem voar na cabine com os donos, no porão ou em aviões de carga.

    No Brasil, o limite de peso para o bicho ficar com o dono varia de cinco quilos a dez quilos. Cães e gatos de focinho curto passam por mais restrições: a Latam, por exemplo, só os transporta em aviões de carga. Para raças consideradas ferozes, como pitbull, as regras variam.

    Segundo a veterinária Fernanda Fragata, do hospital veterinário Sena Madureira, levar animais de estimação em viagens aéreas é seguro –a não ser que os pets sejam mais velhos ou tenham doenças como insuficiência renal.

    “Nesses casos, se a viagem for obrigatória, um veterinário pode prescrever um tratamento preventivo”, afirma. Ela desaconselha, no entanto, o uso de sedativos.

    “É melhor acostumar o animal com o kennel [caixa de transporte] e o deslocamento antes da viagem. A sedação diminui a frequência respiratória e pode agravar problemas que surjam no voo.”

    A apresentadora Astrid Fontenelle, 55, é veterana no assunto. Com milhas acumuladas com o lhasa apso Guru, que já morreu (“o pessoal da companhia até já conhecia ele”), ela se prepara para levar a maltês Bella em sua primeira viagem, para Salvador.

    “Se você acostumar o cão desde cedo, ele fica quietinho”, diz. Ela só evita ir com pets em viagens internacionais, por causa da lista de exigências –que varia de acordo com o destino e pode incluir vacinas, exames e até um período de quarentena.

    No Brasil, as regras são estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. O órgão exige vacina antirrábica e atestado de saúde (cada companhia estipula o prazo de validade do exame, entre 10 e 30 dias). Para deixar o país, é necessário que o bichinho tenha um CVI (Certificado Veterinário Internacional) ou um Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos, emitidos pelo órgão.

    Algumas empresas, aliás, como é o caso da Azul, vetam pets em voos internacionais.

    As empresas também cobram pelo transporte –a taxa para levar pets na cabine chega a R$ 200, valor que pode equivaler ao de uma passagem “humana”.

    DESVIO DE ROTA

    A experiência do analista de e-commerce Eduardo Coen, 41, não foi tão tranquila. Ele, que se mudou para Israel e planejava levar seu buldogue francês e seu vira-lata, teve dificuldades antes mesmo de chegar ao aeroporto. “As regras são confusas. Um atendente disse para sedar os animais, outro se desculpou e disse que eu não deveria sedá-los”, afirma.

    Coen também teve problemas com o prazo de um exame exigido por Israel e teve que embarcar sem os bichos. Agora, contratou uma empresa especializada em transporte de animais: pagará cerca de R$ 5.000 para transportar cada cachorro.

    Cães-guia são liberados de alguns documentos (equipamento de guia e carteiras de identificação e vacinação bastam). Mesmo assim, problemas podem surgir.

    O acadêmico Lucas de Abreu Maia, 30, deficiente visual, diz que sempre precisa explicar para as empresas que Jackie, sua cadela-guia, não precisa seguir as exigências de um pet comum. Maia já teve que adiar voos e deixar Jackie com amigos para viajar.

    As regras das empresas

    ONDE O BICHINHO VIAJA

    AVIANCA Cães e gatos viajam somente na cabine e com o limite de até 10 kg, incluindo a caixa.
    AZUL Só na cabine; o peso do animal mais a caixa de transporte não podem ultrapassar 5 kg.
    GOL Pets de até 10 kg mais a caixa podem ir junto com o dono; os de 11 kg a 30 kg vão no porão da aeronave; de peso maior, só em aviões de carga.
    LATAM O peso permitido na cabine é de até 7 kg (incluindo a caixa); no porão, até 45 kg; de peso maior, só em aviões de carga.

    PREÇO

    AVIANCA R$ 200
    AZUL R$ 200
    GOL R$ 200 na cabine; quando o animal vai como “bagagem despachada”, no porão, é cobrada uma taxa de R$ 90, mais o peso do kennel com o animal, multiplicado pelo valor correspondente a 1% da tarifa cheia do trecho a ser voado
    LATAM R$ 200 na cabine; no porão o valor varia conforme peso do animal mais a caixa
    *Nenhuma companhia cobra para transportar cães-guia

    IDADE MÍNIMA

    AVIANCA Dois meses; os que têm menos de 12 semanas, de raças pequenas e mais suscetíveis à desidratação, precisam de um certificado veterinário que ateste boas condições
    AZUL Quatro meses
    GOL Quatro meses
    LATAM Dois meses

    RESERVA DO SERVIÇO

    AVIANCA No mínimo duas horas de antecedência
    AZUL Até duas horas antes
    GOL Pelo menos três horas antes
    LATAM Até 48 horas antes da saída do voo

    MAIS

    AVIANCA 0800-286-6543; avianca.com.br
    AZUL 4003-1118; voeazul.com.br
    GOL 0800-7040465; voegol.com.br
    LATAM 0300-5705700; latam.com

    Burocracia animal

    Cada companhia tem suas especificações a respeito das dimensões da caixa de transporte dos animais. Checar antes é imprescindível.
    Reservas devem ser feitas com antecedência em função da limitação do número de animais nas aeronaves. Há prazos para solicitação do serviço.
    Leve a carteira de vacinação do animal e o certificado de vacinação antirrábica (aplicada no mínimo 30 dias antes), com o nome do laboratório produtor, tipo de vacina e o número da vacina/ampola utilizada.
    Tenha em mãos um atestado de saúde emitido pelo veterinário. Cada companhia estabelece seu prazo de validade para o exame.
    Algumas companhias exigem que passageiros acompanhados de animais sentem-se na poltrona da janela.

    Pronto para voar

    Acostume o animal com a caixa de transporte em que ele vai viajar. Coloque-o no kennel em passeios de carro e na hora de dormir por no mínimo um mês antes da viagem.
    Dê comida pelo menos uma hora antes de sair de casa. Não é bom que o pet fique com o estômago cheio. Se a viagem for longa, melhor que a alimentação seja concentrada, como em pastas suplementares.
    Não despache o animal muito tempo antes da hora de saída do voo. Espere o horário limite.
    Se o deslocamento for longo, vale a pena ensinar ao bichinho beber em bebedouros automáticos. No espaço reduzido os cães costumam derrubar as vasilhas com água.
    Um brinquedo ou pedaço de tecido ou roupa com o cheiro do dono ajuda a acalmar.
    Acostume o pet aos possíveis ruídos do deslocamento. Para gatos, que se assustam mais fácil, pode-se utilizar protetores de ouvido moldáveis.
    Evite viagens em períodos muito quentes. O risco de desidratação, um dos principais problemas com animais em aviões, aumenta.
    Esteja ciente de possíveis doenças que o pet tenha e que possam criar dificuldades durante o voo.

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